Nestoria Entrevista - Edmar Moretti - Geonames
Esta semana nós temos o prazer de anunciar que entrevistamos Edmar Moretti, geógrafo, embaixador do Geonames no Brasil e administrador da comunidade do software livre i3Geo.
Como você se envolveu com o projeto Geonames. O que lhe atraiu?
Eu conheci o projeto ainda no seu início, por meio de uma notícia na internet. Além de ter gostado dos objetivos apresentados, vi um mapa mundi mostrando o volume de dados já catalogado e me chamou a atenção o vazio existente no Brasil. Como eu conhecia várias bases de dados brasileiras que poderiam ser utilizadas, preparei um arquivo consolidando algumas coisas e enviei para o pessoal do Geonames. Indivíduos usuários podem usar ou usam o site? Quais recursos o site proporciona?Sim, inclusive é possível acessar os dados por meio de Web Services ou download, sem custos. O uso é regido por uma licença"Creative Commons Attribution 3.0". Os desenvolvedores de softwares podem usar os Web Services para incluir funcionalidades em seus aplicativos, de acordo com os termos de uso e limitações dos serviços disponíveis.Quantas pessoas participam ativamente no Brasil e no mundo?Não sei ao certo, mas para se ter uma idéia, existem cerca de 10 milhões de nomes geográficos cadastrados e os Web Services chegam a ter 20 milhões de requisições ao dia. No Brasil existe pouca divulgação do Geonames e poucos dados cadastrados, o que ainda dificulta um uso mais expressivo dos serviços oferecidos. Quais serviços, softwares ou mashup que usam dados do Geonames mais lhe chamou atenção?A integração com a Wikipedia e o serviço de busca em RSS. Isso possibilitou que eu implementasse algumas funcionalidades no software livre i3Geo.
No primeiro caso, o usuário pode abrir uma janela flutuante sobre o mapa que está sendo visto e o sistema busca os registros existentes na Wikipedia. Conforme o mapa é deslocado, novas buscas são feitas, permitindo uma navegação no mapa e na Wikipedia de forma integrada.
No segundo caso, é possível adicionar ao mapa uma nova camada tendo como fonte um RSS, mesmo que não seja um geoRSS.
Em relação a geolocalização, o que ainda falta no Brasil em comparação a países como US ou UK? Mais ferramentas? Uma comunidade deprofissionais de geolocalização mais numerosa? Base de dados mais completas? Uma orientação maior da Internet-esfera a open source?No caso de ferramentas especificas, como o Geonames, faltam levantamentos de dados públicos mais atualizados e precisos. Não temos ainda um banco de nomes geográficos nacional e as articulações entre as várias esferas administrativas, governo central, estados e municípios é muito precária. A Infraestrutura nacional de dados espaciais (INDE) ainda não saiu do papel, se considerarmos a pequena adesão das instituições governamentais à essa iniciativa.Para se ter uma idéia, os códigos de endereçamento postal não estão georreferenciados ainda, e isso é mais grave se considerarmos que os Correios é uma empresa controlada pelo governo, o que demonstra que falta apenas vontade política para se investir em um banco de dados de endereçamento postal georreferenciado.
Uma alternativa às ações governamentais seria a mobilização independente da sociedade para gerar dados espacializados. Hoje em dia as redes sociais permitem isso, mas esbarramos em uma rede de telefonia celular monopolizada que oferece serviços com preços muito altos, sem contar que a velocidade de tráfego de dados ainda deixa a desejar na maioria das localidades.
O ponto positivo é que temos recursos humanos capacitados na área, faltam apenas as condições políticas e técnicas para que essas pessoas possam realizar o seu trabalho.Nossos mais sinceros agradecimentos Edmar e esperamos que as inovações na área de geoprocessamento e a comunidade open source cresça mais e mais no Brasil. Quem quizer buscar conhecimento no i3Geo ou Geonames deve seguir Edmar no Twitter. Em nossa página no Twitter também temos uma lista com todos os entrevistados pelos nosso blogs no mundo.

